sábado, 4 de junho de 2011

Religião neurótica, cristãos nervosos



Pode parecer um tanto estranho e até incoerente, mas temos que admitir que nós cristãos conhecemos pouco da graça de Deus. A cada dia somos mais convencidos dessa realidade. É estranho porque basicamente o cristianismo é fundamentado na teologia da graça de Deus, a qual afirma que o Eterno, misericordiosamente, nos amou e enviou o Seu filho Jesus cristo para a nossa salvação (João 3:16). Deduz-se daí que toda a ação amorosa de Deus em torno do ser humano é permeada pela graça, que etimologicamente significa “favor imerecido”, ou seja, não há em nós absolutamente nada que possa atrair o mínimo do cuidado de Deus. Somos imerecedores de qualquer bênção dos céus, mesmo aquelas que consideramos comuns, como a bênção de respirar ou a bênção de ver a luz do sol a cada manhã.

Não é curioso que sendo toda a história da salvação permeada pela graça divina conheçamos tão pouco desse atributo de Deus? Talvez a explicação para isso esteja no lado oposto da graça, onde mora o legalismo. O legalismo é uma forma de ver a vida e também uma forma de se relacionar com Deus e com as pessoas. Trata-se de uma proposta de vida baseada em pressupostos de justiça própria: a idéia é que as atitudes de justiça por parte do indivíduo concederão a ele direitos em relação às bênçãos de Deus e à vida melhor que Ele pode nos dar. Sendo assim, a pessoa legalista experimentará um sentimento interior de possuir crédito junto ao Todo Poderoso.

De forma prática, a proposta do legalismo funciona assim: a pessoa aprende que quanto mais reta for sua vida, maiores serão as bênçãos que ele alcançará. Então ele passa a tentar agradar a Deus com atitudes que entende serem de acordo com os princípios bíblicos aprendidos. No entanto ele descobre que isso nem sempre isso é possível em função de suas limitações e de sua natureza pecaminosa. A partir daí ele começa a experimentar uma culpa interior por ser pecador, por desagradar a Deus, por sentir-se em débito com o Eterno e por achar que a qualquer momento Deus irá castigá-lo. Sendo assim ele se esforça ainda mais para cumprir os preceitos bíblicos a fim de agradar a Deus. Como não consegue, passa a experimentar uma culpa maior ainda, além de um sentimento de inadequação. Começa a pensar que Deus já não o ama como antes e que a qualquer momento poderá perder a sua salvação. A sua religião se torna neurótica e o indivíduo passa a viver sob o peso insuportável de um julgamento interior (de si mesmo) e exterior (da lei). Este é o momento perigoso em que duas coisas podem acontecer: ou a pessoa se desequilibra emocionalmente, passa a viver vida dupla e se torna um cristão problemático ou abandona a fé e carrega culpa para o resto de sua vida. Esta é a razão pela qual o número de pessoas ligadas à fé cristã que estão internadas nos hospitais psiquiátricos é muito grande.

Precisamos retornar à mensagem da graça de Deus, que diz que o Eterno nos aceita como nós somos, que nos ama do mesmo jeito a cada dia, que nos abençoará tão somente pela sua misericórdia e não em função de nossas ações. Entender a graça de Deus significa entender que o Eterno não reagirá às nossas ações, mas somos nós que reagimos às suas ações de amor e de cuidado constante. Se servimos a Deus, se procuramos viver de forma íntegra, se procuramos agradar a Deus com o nosso viver, não é porque achamos que isso atrairá as bênçãos dos céus sobre nossas vidas, mas agimos assim como uma resposta de amor a um amor maior.

Precisamos de uma fé que nos tire da pressão ao invés de aumentar o peso sobre nossos ombros. Talvez precisemos ouvir do Eterno as mesmas palavras que o apóstolo Paulo ouviu em determinado momento de sua vida: “A minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa a fraqueza” (2 Coríntios 12:9). Talvez isso aquiete os nossos corações e nos torne pessoas mais tranqüilas.

Revº Luiz Henrique Solano Rossi
Pastor da Igreja Presbiteriana “Cristo é Vida” de Bridgeport, Connecticut
Autor do livro “O que eu faço quando” – guia de sobrevivência na adolescência
revhenriquerossi@gmail.com
Fonte: ejesus.com.br

"Concordo plenamente com as palavras do rev. Luiz. Deus está chamando os homens para o arrependimento, porém também os chama para comunhão..."

Irmão Bruno

domingo, 22 de maio de 2011

O PESO DE UM PEDAÇO DE PAPEL (TG 5.16)




Uma pobre senhora, com visível ar de derrota estampado no rosto, entrou num armazém, aproximou-se do proprietário, conhecido pelo seu jeito grosseiro, e lhe pediu fiado alguns mantimentos, argumentando sobre a enfermidade de seu marido e sua conseqüente impossibilidade de prover o sustento da família.

O dono do armazém zombou dela e pediu para que se retirasse do seu estabelecimento. Pensando na necessidade da sua família, a pobre mulher implorou:

— Por favor, senhor, eu lhe darei o dinheiro assim que tiver.

Mas ele lhe respondeu que ela não tinha crédito nem conta em sua loja.

Em pé, no balcão ao lado, um freguês que ouvia a conversa entre os dois, aproximou-se do dono do armazém e lhe disse que ele deveria dar o que aquela mulher necessitava para a sua família, por sua conta.

Então, o comerciante falou meio relutante para a pobre mulher:

— Você tem uma lista de mantimentos?

— Sim! — respondeu ela.

— Muito bem, coloque a sua lista na balança e o quanto ela pesar eu lhe darei em mantimentos!

Não compreendendo a proposta, a pobre mulher hesitou por uns instantes e, com a cabeça curvada, retirou da bolsa um pedaço de papel e nele escreveu alguma coisa, depositando-o, em seguida, na balança. Os três ficaram admirados quando o prato da balança, com o papel, desceu e permaneceu embaixo.

Completamente pasmo com o marcador da balança, o comerciante se virou lentamente para o seu freguês e comentou, contrariado:

— Eu não posso acreditar!

O freguês sorriu e o homem começou a colocar os mantimentos no outro prato da balança e, como a escala da balança não equilibrava, pendendo sempre para o lado do pedaço de papel, ele continuou colocando mais e mais mantimentos até não caber mais nada.

O comerciante ficou parado ali por uns instantes olhando para a balança, tentando entender o que havia acontecido, até que finalmente pegou o pedaço de papel da balança e ficou espantado. Não era uma lista de compras, mas, sim, uma oração, que dizia: “Meu Senhor, o Senhor conhece as minhas necessidades e eu estou deixando isso em suas mãos...”.

O homem deu as mercadorias para a pobre mulher no mais completo silêncio, que agradeceu e deixou o armazém.

O freguês pagou a conta e disse:

— Valeu cada centavo. Só Deus sabe o quanto pesa uma oração.

Ao terminar de ler esta mensagem, faça uma oração. É só isso o que você deve fazer. Não existe impossível para DEUS! Jamais desista daquilo que você realmente quer.

Lembre-se, a pessoa que tem grandes sonhos é mais forte do que aquela que possui todos os fatos.

Fonte: ICP - Instituto Cristão de pesquisas
icp.com.br

Paz e Graça

Irmão Bruno